quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Verso de amor



  Vi no canto dos teus olhos a verdade
Em gotas de orvalho imaginável
Na cor o mel e a esperança
Igual a pérola solta
Deslizando pelo planalto do crer

Não contam os dias de afastamento
Tampouco a memória imprudente
Ou a vontade de um beijo
Marcas de um passado imprevisto
Desvendei inda há pouco
O sabor do amor num dia de chuva

Escrevo contudo de alma apertada
Não sei, é certo
Qual a razão por que busco tal carta fechada
 A razão do meu verso perdido
Pode ser impulso ou banalidade
Contudo é um verso de amor sentido.


domingo, 28 de outubro de 2012

Sem falta



Sou espaço secundário
Sem falta ou valor, eu sou
Um negro mercenário
Que na tua vida entrou

Não tenho pensar
Utilidade ou nobreza
Acabarei por naufragar
A clara certeza

Por entre os destroços
Reconheço o meu espaço
Nem as penas dos pássaros
Aninham cansaço

No afastamento
Está a trave mestra
Sem entendimento
Mas que vida esta.

Fraco suplemento
Em horas vazias
De um casamento
Certezas tão frias.

domingo, 21 de outubro de 2012

Outono


Infinda cerração
Similar desânimo
Pardo espasmo
Em brejos infindos

A manhã em aflição
Convida a pernoitar
Ocasos paralelos
Um certo acomodar

Quase em degredo
Sussurro e lassidão
Nos dias de Outono
Possuída a chuva
Caí candidamente
No beiral dos dias.

Ampara a nostalgia
No cinzento do vestido
Através da vidraça
Pressinto a chuva fria.










segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Nós dois



Por entre a procura resido
Edificando a tua presença

Em sintonia amor
Como o céu e a terra
Ressonância e clamor
Por entre a palma da mão
Quem disse que a fria espera
Resfria o coração
 
Em busca contínua edifico
A razão do nosso crer

Não ser é aflição
Não ter é pertinência
Nós dois a conclusão
Do amor em efervescência

quarta-feira, 5 de setembro de 2012



(Francisco),...Soubera eu…

Soubera eu dar-te a paz necessária
Através das pontas dos dedos
A força, a vontade imaginária
Meu amor desvendar os teus medos

Soubera eu ser a sombra que te acolhe
Na calmaria do desassossego
Instante em chamas estranhas
Pressentir de um breve enredo
 
Ser a força de um penedo
Amparar o teu destino
Com a força de um só dedo
Tirar-te as pedras do caminho.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Tenho fome



Apossa de mim o vazio
No vento que me chega
Não, não tenho frio
É muito mais que isso
Errante e vagaroso
Toma de assalto a mente
Dormente me encontra
Demente insatisfeita
Afinal possuir é brado
Inacabado pela rouquidão
Apossa a alma e o corpo
Na falta da tua mão

Na penumbra a luz
Cintilante da lua
Na sombra vaga
Saudade tua
No rosto o frio
Em cascata consome
O sal da lágrima
Tenho fome!
De palavras bonitas…