domingo, 4 de março de 2012

Amar-te


Há uma parte de ti intransponível
Um mundo encoberto
Um sonho incerto
Precavido e apetecível

Há uma parte de ti que não sei
Por vezes penso que olvido
Para ti faz todo o sentido
Para mim é nau, naufraguei

Num mar de desejos
Numa estrada sem fim
Pobre de mim
Amar-te é lei.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Momentos


Espero por conversas serenas
Nas tardes amenas
Francas, sinceras
 Conversas de outro tempo
Sem murmúrio ou lamento
Conversas apenas.

Limar de recordações
Quem sabe paixões
Liberdade ou ansiedade
Sem complexo ou vaidade
Conversas plenas

De ternura, sorrisos
Momentos concisos
Sob o beiral
Em dia estival
No meu Alentejo
Abeirou-se um desejo
Voltar a ser criança
Redescobrir confiança

Há muito que não vejo.

.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Perdoa

Perdoa-me vida
Por ter e não ter
Perdoa ao dia
Sempre que escurecer
Uma vontade vadia
De por fim morrer
Perdoa o tempo
Vivido a correr
As dores e as penas
Sempre a renascer
Grinaldas de sangue
No peito a volver

Perdoa ao sol
Por estar encoberto
Perdoa no role
Meu olhar incerto

Perdoa à chuva
À água da fonte
Perdoa à noite
E por fim à ponte
Entre o crer e o ser
Que no peito rompe
Sonhos a crescer
Novo florescer
Que a vida desponte.

De nós dois

Tudo o que é de nós dois
É carta fechada
Aberta com lâmina de oiro
Na memória cravada
Se o agora trouxesse termo
A uma emoção contida
Mesmo assim o desalento
Não faria parte da vida

Porque tudo o que é de nós dois
Nas estrelas está traçado
Momentos maus ou benévolos
No peito estão encobertos
No calor de sete sois
Está nosso amor resguardado.


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Sentir


Por vezes sinto na força do vento
O teu pensamento tão perto
Chega em surdina repleto
De um carinho natural, o tempo
Por vezes é incerto mas concreto
É um sentir, um pensar
Quando preste a naufragar
A tua presença me embala

Desconhecendo a razão
Deste sentir descoberto
Pelo vento suão
Que estando longe estás perto

De mim e de ti

Uma sombra na parede branca
Conversa comigo tranquilamente
Fala do tempo presente
Do que passou e não volta
Na conversa pressinto
Que o momento é finito
Acabou por fechar a porta
Da confiança esbranquiçada
Pela suspeita premente
De que o agora pressente
O que o ontem adivinhou
De mim e de ti pouco ou nada restou.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Tempestade

As palavras vãs perderam o sentido
A encruzilhada embaralha o momento
Irei para a direita, em frente, Este ou Oeste
Para que lado vou afinal, combalido
Está o meu olhar, preciso de uma estrela guia
Ironia
Este momento cinzento, seminu
De vontades ou vaidades, pouco restou
Daquilo que fui do que vivi, sem sentido
Assim me olham os dias que passam
Remoendo extravasam, angústia sorrateira
Que se alojou na beira do olhar aguado
Magoado está o sentir rejeitado
Pelo indeciso da sorte, quem sabe o vento norte
Traz a tempestade, logo após renasce a vontade.