sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Imaginário


Hoje o dia aparenta ser tranquilo
Passei no largo da igreja estava vazio
O ar seco e tórrido afugenta passantes
Mas nada é como antes

Por detrás das portas fechadas a vida ruiu
Tantas as casas vazias, na tranquilidade aparente
Medito no agora restrito, solidão eminente
O meu pensamento por hora atraiu

Um pombo que esvoaça de pedra em pedra
Cinzento e branco, brancura que assemelha
As fachadas do casario baixo, a calçada envelhece
Nos beirais as teias de aranha envelhecem
A cidade adormecida no suão do verão
Estica-se ao sol e as portas permanecem
Fechadas, e se eu fechasse o coração
Se deixasse de pensar teria paz
Como? Pensarei por ventura
Que uma fria fechadura é a solução.
   
Hoje o dia aparenta ser tranquilo
A mim cabe a decisão de segui-lo
Não vendo, não sentido, evitar o vazio
Mas como se o vazio é propicio ao estio.

E o calor tem em mim efeito contrário
Como que por condão atiça o meu imaginário.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012


 O sol de Agosto

Que me ofertem planaltos no mel dos teus olhos
Quero avançar no lago tranquilo onde repouso
Sempre que a saudade aperta
Quero ir mais além na imaginação desperta
Na grandeza de um dia de Verão

Que o vento me traga o som da tua voz
Para que assim possa repensar o nós
Sou tão pequenina perante a grandeza
Da mente que rebuscando busca a tua imagem
O sol transporta raios de luz, miragem
No deserto do meu dia que anseia liberdade
Para te ter sem amarras ou compromissos
Os tempos são submissos e eu penso

Que a vida corre apressada amanhã olharei
Repararei como foi curta a estrada
Que me ofertem giestas e saramagos
São fortes à intempere agreste
Hoje o tempo é meu aleado, a chuva vem por aí
Igual à saudade que descai do meu olhar
Aí de mim, uma lágrima rebelde chegou por fim
Anuncia chuva no verão que é tórrido
Ofertem-me planaltos
Quem sabe assim vislumbre o teu rosto
Brilhando nos raios deste sol de Agosto.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Querer


Num tanto que sinto
Um querer intrincado
Mas nunca desminto
Nem dou terminado

Meu querer é modesto na forma de ter
É caso pensado momento vincado
Na mente e no ser

Meu querer é tormento por breves instantes
É jura sentida às vezes corrida
Definha sozinha para logo se erguer.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Presença


Na imperfeição que me rege
Quero-te
Com a clarividência dos deuses
Com a suavidade das almas
Que sobrevoam às vezes
Estas planícies do sul

O meu vício és tu
Meu aconchego na noite
Meu alimento e jejum
Só peço a deus que pernoite
Esta presença constante
E que a certeza se afoite

A ir sempre mais longe
Num desbravar paralelo
O meu vício és tu
Que seja sempre singelo
Este aspirar igualável
Aos grandes lagos do sul
Minha firmeza imutável

Quero-te
Com este crer que elege
O teu abraço apertado
O manto que protege
O meu corpo cansado.



terça-feira, 17 de julho de 2012

Apanágio


Transpondo a existência paralisada
num instante gélido e compacto.
Nómada pela berma da estrada
vai a sombra fugindo do seu fado.

Desliza sobre si estranho ar abafado
é a morte da vontade trauteada.
Corre-lhe nas veias o sangue embriagado
descai-lhe aos pés em altivez atracada.

Ao que arbitra ter e não encontra
sol de pouca monta o pretende, almejado
é o momento de voltar ao renegado.

Volta e meia depressa se dá conta
que fugir não passa de presságio.
A vinda precavida peia a treva em apanágio.



segunda-feira, 16 de julho de 2012

Entre o meu e o seu



Fiquei no meio de nenhures
À beira do precipício
Vislumbrei algures
O instante propício

Para fugir de mim

Indaguei um instante
A minha sobrevivência
Descobri-me farsante
Tamanha a pertinência

Por fugir de mim

Aproximei-me da beira
Hesitando enfim
Segredou-me a asneira
Queres que seja assim

Fugires de ti

Dei dois passos atrás
Segurei-me na razão
Saltar não fui capaz
Coisas do coração

Encontrei-me por fim

Na sombra que estava ao lado
Ao meu peito ofegante
O sorriso do meu fado
Desnudou-se confiante

O retorno deu-se assim

Sequer o salto foi dado
Sequer reneguei paixão
Por fim caminho traçado
Entre o meu e o seu por condão


terça-feira, 10 de julho de 2012

Amor amigo



Pega-me ao colo
Quero adormecer no embalo
Dos dias pequenos
Tudo é de menos
Quando a saudade ocorre

Corre apressada a vida fugidia
Perde-se tempo, o que não temos
Os cabelos brancos são de neve macia
A curvatura das costas relembra que somos
Sombras frágeis e fugidias

Numa passagem emprestada
Numa força que não é nossa
Vivemos
Esquecemos que a encosta
É fácil de subir
Depressa chega o dia de partir

Por isso pega-me ao colo
Afaga os meus cabelos
Adormece comigo
Amanhã meu amor amigo
A passagem descampou
Só um chorará o instante olvido